Venda de casas mantém trajetória de queda
O mercado imobiliário português arrancou 2026 com sinais de abrandamento. Depois de um período marcado por máximos históricos nos preços e na atividade, a venda de casas voltou a diminuir pelo segundo trimestre consecutivo. Entre janeiro e março foram transacionadas 37.745 habitações, menos 8,7% do que no mesmo período do ano passado.
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam ainda que a quebra foi mais expressiva nas habitações novas. As vendas de imóveis novos caíram 11,6%, para 7.389 unidades, enquanto as habitações existentes registaram uma descida de 8%, totalizando 30.356 transações.
Apesar da redução do número de negócios, o valor global das operações atingiu 9,9 mil milhões de euros, mais 3,2% em termos homólogos, refletindo o contínuo aumento dos preços praticados no mercado residencial.

Preços da habitação continuam a subir, mas a menor ritmo
Os preços da habitação mantiveram uma forte valorização no primeiro trimestre de 2026, embora com sinais de moderação. O Índice de Preços da Habitação aumentou 17,8% face ao mesmo período de 2025, uma taxa inferior em 1,1 pontos percentuais à registada no trimestre anterior.
Esta foi a primeira desaceleração dos preços desde o segundo trimestre de 2024. As habitações existentes continuaram a liderar a valorização, com uma subida de 19,7%, enquanto as habitações novas registaram um aumento de 12,6%.
Em termos trimestrais, os preços da habitação cresceram 3,8%, abaixo dos 4% observados no final de 2025. As casas usadas registaram uma variação de 4,2%, acima dos 2,7% verificados nas habitações novas, confirmando que a pressão da procura continua mais intensa neste segmento.

Famílias dominam compras e não residentes recuam
As famílias continuaram a ser os principais protagonistas da compra de habitação em Portugal. No primeiro trimestre do ano adquiriram 32.828 casas, o equivalente a 87% de todas as transações realizadas. O investimento efetuado por este segmento atingiu 8,6 mil milhões de euros, representando 86,4% do valor total movimentado.
Já os compradores com domicílio fiscal fora do território nacional reduziram a sua presença no mercado. Entre janeiro e março foram adquiridas 1.770 habitações por não residentes, o que corresponde a uma diminuição homóloga de 15,6%.
A nível regional, o número de transações recuou em todas as zonas do país, com as maiores quebras a registarem-se na Madeira, nos Açores e no Algarve. Ainda assim, várias regiões continuaram a apresentar um aumento do valor das operações, evidenciando que a valorização dos imóveis continua a sustentar o mercado, mesmo num contexto de menor atividade.
Os números do INE apontam, assim, para um mercado imobiliário menos dinâmico em volume de vendas, mas ainda marcado por preços da habitação elevados e por uma valorização significativa dos imóveis residenciais.

Fonte: supercasa.pt